Auschwitz: uma visita emocionante

A primeira coisa q vc tem q saber sobre Auschwitz é que na verdade o lugar se chama Oświęcim. Auschwitz foi o nome dado pelos alemães, germanizando o nome polonês original. E por que é importante saber isso? Porque não há praticamente nenhuma placa indicando Auschwitz, apenas Oświęcim.

A segunda coisa importante é que para visitar com calma e sem milhares de turistas, é importante chegar bem cedo. O campo abre às 8h e chegamos lá às 8 em ponto. Para isso tivemos que sair às 7h de Cracóvia. Uma coisa importante é que só é permitido entrar sem visita guiada até às 10h ou após às 15h. A visita guiada custa 40 Złoty (cerca de 10 euros) por pessoa e está disponível em vários idiomas. Para entrar sem visita guiada não precisa pagar nada, mas é necessário pegar um ticket na bilheteria. Você informa que não quer visita guiada e ela imprime seu ticket de graça.

Outra coisa muito importante: só é permitido entrar com uma bolsa pequena (30x20x10cm). Além disso, a gente passa por um super controle antes de entrar no museu, daqueles tipo de aeroporto.

Apesar de não ser proibido, eles não recomendam a entrada de crianças menores de 14 anos. O Renato já havia decidido que não iria e ficaria com a Olivia, não só por não ser um lugar bacana pra ela, mas especialmente porque muitas pessoas que vão ali possuem histórias familiares próximas ou mesmo quem não tem está num clima introspectivo e de respeito. E uma criança de 2 anos correndo e rindo pra lá e pra cá poderia soar um pouco desrespeitoso. Mas quando estávamos lá dentro vi algumas crianças, inclusive bem pequenas, e não houve maiores problemas. De qualquer forma pra gente foi melhor desse jeito. Então eu fui sozinha com minha mãe e o Renato ficou em Cracóvia com Olivia.

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Bom, começando do começo. O museu de Auschwitz na verdade é composto por 2 campos. O campo de Auschwitz I e Auschwitz II-Birkenau. Na verdade o que conhecemos como Auschwitz era um complexo de 48 (!!!) campos de concentração. Auschwitz I foi o primeiro campo do complexo e foi construído utilizando a estrutura de edifícios do exército polonês antes da guerra. Ali funcionava a parte administrativa dos campos, além de galpões onde inicialmente ficaram presos soldados poloneses e ao avançar da guerra todos aqueles que Hitler julgava não dignos de conviver em sociedade. Já Auschwitz II-Birkenau, foi construído para ampliar a capacidade de Auschwitz, especialmente para concentrar os extermínios. Ao final da guerra, Auschwitz havia se transformado no maior campo de extermínio de pessoas da segunda guerra. Estima-se que mais de um milhão de judeus tenham sido mortos apenas em Birkenau. E eles vinham de todas as partes da Europa, viajando as vezes milhares de quilômetros em trens sem ventilação, sem comida e sem água. Muitos morriam no trajeto.

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Começamos nossa visita por Auschwitz I. E assim que entramos o dia, que já estava cinza, começou a ficar chuvoso. Uma chuva fina e fria que serviu pra piorar a sensação de estar dentro daquele lugar que emana uma energia pesada e negativa. Eu já havia visitado outro campo de concentração (Dachau, perto de Munique) duas vezes e a sensação é sempre a mesma. Inclusive um mal estar físico à medida em que se avança na visita. Por vezes eu achei que fosse vomitar, tamanho é o embrulho no estômago que se tem num lugar desses.

No entanto, minha impressão geral de Auschwitz (enquanto museu e não enquanto história, lógico) é a de que eles foram muito respeitosos com as vítimas. Em todas as salas de exposição se vê milhares de fotos dos presos, catálogos com histórias das pessoas, objetos pessoais, histórias de pessoas que fugiram, de pessoas que resistiram, que ajudaram. Enfim, para além dos números assustadores que todos nós ouvimos falar, achei bonito ter rostos e memórias daqueles que sofreram tanto nas mãos de pessoas maléficas e doentes. Em uma das exposições me chamou a atenção um local com dezenas de quadros com fotos de poloneses presos e atrás de um desses quadros havia uma flor delicadamente colocada. Fiquei imaginando que algum parente próximo esteve ali e prestou sua homenagem. Aquilo me tocou profundamente.

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Uma coisa bem interessante é que cada um dos edifícios recebeu a exposição de um país diferente, contando a sua história relativa ao Holocausto. E pelo que pude entender, cada país realmente ficou responsável por montar a exposição. Há a exposição da Polônia, Bélgica, Holanda, Rússia, entre outros. Além destes, há um edifício destinado à contar a história de Auschwitz em si e alguns onde foi preservado exatamente como era, por exemplo o local onde ficavam presos os condenados dentro do campo, onde eram feitos os julgamentos, os primeiros salões onde os poloneses enviados ao campo ficaram com o chão coberto de feno, os banheiros, etc. Destes, o que chama muito a atenção é o paredão de fuzilamento, onde inicialmente eles matavam as pessoas condenadas num julgamento que quase sempre decidia pela pena capital. Chama a atenção também a primeira câmara de gás, que foi reconstruída pelo museu, a forca coletiva, e a cela onde ficou preso o padre polonês que foi condenado à morrer de fome após se dispor a cumprir a pena por outro preso.

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Algumas outras coisas chocam demais, como a sala cheia de cabelos que foram encontrados pelos soviéticos depois da libertação do campo. Os cabelos eram cortados após a morte das pessoas e transformados em tecido. Os relatos sobre as experiencia médicas, o dia-a-dia das pessoas, a quantidade de crianças, enfim, é uma experiência importante, mas difícil de se ter. Das outras vezes que visitei campos de concentração ainda não tinha filho. Dessa vez foi impossível não olhar profundamente nos olhinhos tristes de cada uma daquelas crianças retratadas ali e não morrer um pouco por dentro.

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Apesar desse campo não ser muito grande, a grande quantidade de exposições faz com que você gaste pelo menos umas 3 horas visitando. Com a chuva, o frio e o cansaço (físico e principalmente emocional), decidimos apenas olhar Birkenau por fora do carro mesmo. O tamanho é impressionante. Enquanto Auschwitz possuía 28 edifícios que abrigavam em parte os prisioneiros, Birkenau possuía 300 barracões e 5 crematórios, além de uma pira onde queimavam os corpos quando os crematórios não davam mais vazão.

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Certamente não é um passeio agradável, mas acredito que seja muito importante pra que a gente possa ver de fato até onde o homem pode chegar. Pra que não se repita jamais. E também para homenagear a tantos que bravamente resistiram à essa tragédia da humanidade. Que tenham encontrado a paz.

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