São Miguel dos Milagres: o caribe brasileiro

Este relato é da viagem que fizemos em 2009 pelo litoral norte de Alagoas e sul de Pernambuco, passando pela região conhecida como Rota Ecológica. Embora tenha sido uma viagem apenas do casal, antes de termos nossa filha, acredito que muitas das dicas são úteis também para famílias. Foi uma das viagens mais lindas que já fizemos e sempre lembramos com muito carinho do que passamos a chamar de nosso paraíso. Aqui reproduzo o post originalmente publicado no meu antigo blog sobre São Miguel dos Milagres, mas se quiser ver o relato completo da viagem veja aqui.

Segue então nosso relato de 2009!

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O caminho de Japaratinga à São Miguel já é um passeio à parte. A estradinha à beira-mar com os imensos coqueirais, a travessia de balsa pelo rio Manguaba e a chegada por dentro da cidadezinha simpática de Porto de Pedras já vão dando as dicas de que estamos chegando no paraíso. O trajeto todo não leva mais que 20 minutos (sem contar uns 5 a 10 minutos de espera da balsa) e no caminho passamos pela lojinha de artesanato Maria de Palha (Porto de Pedras), onde encontramos diversos objetos feitos em bambu e fios de côco. Tudo lindíssimo e por um preço ótimo. Mas o melhor de tudo é que você compra direto do próprio artesão, o Adeíldo. Luminárias, jogos americanos, caixinhas, enfeites, tudo isso pode ser enviado por sedex, caso você não queira ter o desconforto de levar tudo no avião (que foi o nosso caso), e você só paga quando receber a mercadoria. No entanto, nesse quesito entrega o sistema do sedex deixou um pouco a desejar. Não sei se foi azar nosso, erro do Adeíldo ou dos correios, mas a mercadoria demorou a ser entregue, foi para o endereço errado, VOLTOU PARA ALAGOAS, e só depois recebemos. O Adeíldo teve que pagar mais um frete (que custou quase o valor da mercadoria, por isso decidimos pagar metade, e ainda sim saiu bem barato pra gente) e no final das contas, além do atraso, a mercadoria ainda chegou danificada (com alguns amassados). Mas com jeitinho conseguimos consertar e as peças estão lá lindas e perfeitas. Mas por todo esse estresse aconselho levar as mercadorias no avião mesmo. Se for o caso tente conseguir uma caixa e faça o embrulho você mesmo com jornal, acredito que fique mais barato e dessa forma as peças não correm o risco de se perder ou danificar.

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Compramos luminárias como estas da foto

Agora a estadia … essa foi sem dúvida a melhor surpresa da viagem. Escolhemos a pousada do Caju (hoje se chama Casa Acayu), localizada na praia do Toque. Quando a gente achava que não podia ficar melhor, ficou. Tínhamos lido em alguns sites que a pousada era ótima e o preço dela parecia bom (não é barato, mas dentre as outras era a que parecia reunir melhor qualidade e preço). E não nos arrependemos nem por um segundo pelo dinheiro gasto. Esta pousada é simplesmente inacreditável. Tudo lá é lindo e você percebe o cuidado em cada detalhe. Fica muito claro o carinho que os proprietários e funcionários têm por este lugar, o que faz você se sentir ainda mais bem vindo.

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Logo quando chegamos, fomos recepcionados pelos donos, dois portugueses muito simpáticos. A seguir fomos sendo apresentados a cada um dos funcionários que passavam, que nos recebiam com um sorriso e um desejo de boas vindas. A estrutura da pousada também é um luxo só, uma piscina deliciosa com cascatinha e bar molhado servindo caipirinha o dia todo, restaurante com decoração impecável (e a cozinha nem se fale! Tudo delicioso), um jardim lindo com recantos com redes e conjuntos de mesinhas e cadeiras, sala de massagem, enfim, tudo do bom e do melhor. A pousada oferece bicicletas para quem quiser conhecer os arredores sem pegar o carro, além de transfer de Recife e Maceió. Eles também agendam os passeios que você quiser fazer.

A pousada fica a cerca de 150 metros da praia do Toque e a caminhada até lá é pelo meio do coqueiral numa paisagem deslumbrante. A praia … bem, a praia é o paraíso, não preciso dizer mais nada. Um mar calmíssimo de águas esverdeadas cercado por recifes, e totalmente deserta. Paz é só o que se vê por aqui. Fomos andando pela praia cerca de 500 metros até o restaurante indicado pela pousada – o restaurante do Enildo – que fica em Porto da Rua. O lugar é simples, na beira do mar, mas tanto o atendimento quanto a comida são 5 estrelas. Novamente fomos recebidos pelo dono, o próprio Enildo, que é a simpatia em pessoa. Cerveja geladíssima, vista pra praia e uma peixada com molho de camarão de comer de joelhos. O pirão é feito com a própria macaxeira e dá pra comer puro de tão delicioso. O preço também é ótimo. Comemos tanto que mal conseguimos andar de volta até a pousada. E ainda tinha o jantar da pousada … haja estômago!

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Passeios em São Miguel dos Milagres e arredores:
. Praia do Morro. Seguimos as indicações do José Carlos e do Alírio (donos da pousada) e fomos até Barra de Camaragibe (uns 15 minutos em direção sul) e estacionamos o carro em um restaurante na beira da praia. Dali seguimos andando em direção ao rio, onde os canoeiros fazem a travessia do rio que separa Barra de Camaragibe da Praia do Morro. A travessia custa 2 reais ida e volta por pessoa e uma vez chegando na outra margem do rio são uns 5 minutos caminhando até se chegar à praia propriamente dita. A Praia do Morro é a continuação da famosa Praia do Carro Quebrado, mas um conjunto de falésias impede a travessia pela areia. É uma praia com uma paisagem bem bonita, cheia de coqueiros e com mar de águas esverdeadas e ondulações leves. Com exceção de algumas casas de veraneio, a praia é praticamente deserta e a paisagem deve ser bem próxima do que os portugueses avistaram quando chegaram por aqui há 500 anos. Uma coisa que prejudicou demais o passeio foi a quantidade de lixo que vimos nas areias desta praia. Como a praia estava totalmente deserta e por lá não há quiosques ou grande movimento de turistas, achamos que o lixo tinha sido trazido pela correnteza de outras praias ou mesmo do alto mar. Muitas garrafas de plástico, embalagens, pedaços de metal e todo tipo de sujeira acumulada no limite da maré alta. Realmente não combina com o lugar. Mas talvez tenha sido apenas um azar nosso mesmo, não acredito que seja sempre assim. Caminhamos cerca de 40 minutos até as falésias e como o sol não estava muito forte foi um passeio muito agradável. Mesmo com todo o lixo, valeu a pena o passeio. Chegando na pousada, era hora de relaxar na piscina, tomar uma caipirinha de uva e escolher a refeição do dia. De fato, uma vida horrível!

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. Artesanato. Mais uma vez pelas dicas dos donos da pousada fomos dar um passeio nos povoados próximos nas lojinhas de artesanato Sol Nascente, Maria da Palha e Lima (que faz sandálias de couro sob medida). Tudo bom, bonito e barato. Claro que compramos mais um pouquinho.

. Passeio do Peixe-Boi. Agendamos pela pousada um dos passeios turísticos mais famosos da região. Este passeio custa 20 reais por pessoa e consiste em subir o rio Tatamunha de jangada (sem motor) a procura dos peixes-bois, principalmente o astro “Aldo”, o peixe-boi mais antigo do projeto de preservação existente no local. O Aldo tem cerca de 15 anos, segundo nosso guia, e vive a uns 10 anos nesta região. Ele vive solto e é extremamente dócil. Ele é tão manso que constantemente coloca suas nadadeiras em cima da jangada e brinca com os turistas. Fomos informados logo no início que avistar o Aldo não era uma garantia do passeio, já que ele podia estar em qualquer lugar do enorme rio e até mesmo no mar. O passeio pelo rio é bastante bonito e o silêncio e a paisagem são inspiradores, mas é claro que estávamos ali para ver o peixe-boi e ficaríamos muito frustrados se não o encontrássemos. Por sorte logo no início avistamos o Aldo. O bicho é enorme, deve ter mais de 2 metros e pode chegar a pesar 300 quilos. Imediatamente ele se aproximou da jangada e ficou nos rodeando chegando bem pertinho para cheirar nosso pé. Ele ficou um tempo perto da gente e depois se cansou e foi dormir no mangue. Em seguida fomos visitar o santuário onde outros três peixes-bois filhotes estão sendo adaptados para serem devolvidos à natureza. Não conseguimos ver muita coisa por lá, mas valeu o passeio só pelo Aldo.

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. Passeio às Piscinas Naturais. Agendamos através da pousada o passeio às piscinas naturais da praia do Toque. Existem passeios a piscinas naturais em praticamente todas as cidades por onde passamos, mas eu tinha lido que as da Rota Ecológica costumam ficar mais vazias. Saímos da pousada em direção à praia e logo que chegamos já avistamos a jangada que estava à nossa espera. O passeio só sai quando a maré está baixa e os recifes ficam aparentes, formando as piscinas naturais. A primeira surpresa que tivemos foi ao chegar na praia e ver como a paisagem havia mudado com a maré baixa. No dia anterior havíamos passeado por ali e o mar estava tão alto que praticamente não havia faixa de areia para caminhar. Os recifes não eram visíveis. No dia seguinte a maré havia baixado tanto que andamos cerca de 100 metros em direção ao mar até chegarmos na jangada. A paisagem estava totalmente diferente, com os recifes bem acima do nível do mar e diversas piscinas formadas bem próximas à praia. Pegamos a jangada e em 5 minutos estávamos na primeira piscina natural. A beleza é indescritível. O jangadeiro nos forneceu snorkels para que pudéssemos nadar perto dos corais e ver os milhares de peixinhos, ouriços e outros bichinhos que ficam por ali. Depois caminhamos por cima dos recifes e chegamos à outra piscina natural, tão linda quanto à primeira. O passeio foi belíssimo e é imperdível.

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. Praia do Patacho. Esta praia deserta próxima ao povoado de Lage tem a paisagem típica desta região com imensos coqueirais e um mar calmo e com água esverdeada. Ideal para dar uma caminhada admirando o visual e depois tomar um banho de mar e descansar na sombra de um coqueiro até enjoar de tanta paz e tranqüilidade. Lá tem algumas casas de pescadores e uma pousada bem charmosa (a pousada do Patacho), mas não há nenhuma estrutura de quiosques ou bares, por isso o ideal é levar água e algum lanche se for passar muito tempo.

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2 comentários em “São Miguel dos Milagres: o caribe brasileiro

  1. É curioso que Maragogi, também no litoral norte alagoano, é chamado de “Caribe Brasileiro”, eu estive lá. E, em que pese a minha preferência por urbanidades e paisagens de interior, serra e mato, é bem legal. Praia também tem seus encantos. São Miguel dos Milagres ainda não conheço, vi no Maps que fica mais ao sul de Maragogi. Espero poder ir lá qualquer dia.
    Sou Leonardo Chaves, do “O Reverso do Mundo”, e quero agradecer pela visita e por terem se inscrito pra seguir o blog. Estamos preparando novidades pra esse mês que entra e esperamos que possamos fazer por merecer a atenção de vocês.
    Grande Abraço!

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    1. Oi Leonardo. Pois é, toda essa região é conhecida como Caribe brasileiro e de fato as praias tem um visual bem parecido. Nós descemos de Recife à Maceió passando por diversas praias no caminho (inclusive Maragogi, que é lindo tb) e é uma viagem bem linda. Parabéns pelo seu blog! Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

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