É possível viajar barato na Europa?

Com o euro nas alturas muitos viajantes estão deixando de lado a tão sonhada viagem pra Europa e optando por destinos mais baratos. Na verdade não tenho nada contra isso e acho maravilhoso aproveitar pra conhecer melhor o Brasil, nossos vizinhos na América do Sul e quem sabe destinos menos procurados como Ásia e África. Mas se você quer muito ir pra Europa, saiba que é possível sim fazer uma viagem econômica e aproveitar o melhor que o antigo continente tem pra oferecer. Abaixo eu dou algumas dicas que podem te ajudar neste planejamento.

1. Passagem aérea

A primeira coisa é conseguir uma passagem aérea com bom preço. Normalmente as passagens aéreas do Brasil pra Europa consomem grande parte do orçamento da viagem. Mas hoje em dia há algumas formas de se tentar reduzir este custo.

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Pesquisa e planejamento. Embora a compra com antecedência não seja mais garantia dos melhores preços, já que muitas cias aéreas oferecem promoções de última hora, ainda é importante pesquisar bastante antes de comprar a passagem. Entre em diversos sites de cias aéreas e busque por diferentes horários, datas e destinos.

Sites de busca. Use e abuse de diferentes sites de busca de passagens, como o Skyscanner, Hopper ou Melhores Destinos. O Melhores Destinos, além de busca de passagens possui várias dicas e informações importantes pra quem quer economizar nas viagens aéreas. Muitos destes sites possuem também a opção de criar alertas para promoções dos destinos que você deseja. Uma das maiores vantagens que vejo nestes sites é que eles podem combinar diferentes companhias e com isso muitas vezes conseguem melhores preços. Mas sempre é bom conferir de novo no site da própria empresa aérea para ver se o voo de repente não está mais barato lá. E atenção! Muitas vezes estes sites de buscas oferecem voos com escalas enormes. Então preste atenção em quantas escalas e no tempo total da viagem para não se meter numa roubada! Já vi passagens de Berlin pra Lisboa que duravam 20h.

Flexibilidade. Se você tem flexibilidade de datas e destinos, já ganha muitas vantagens com relação ao custo da passagem. Primeiro fique de olho nas promoções nos sites das companhias aéreas. Teste diferentes cidades num mesmo país e diferentes países. Às vezes uma viagem Rio-Paris pela Tap com escala em Lisboa sai mais barato do que uma viagem pela mesma companhia Rio-Lisboa. Não me pergunte porque, tem a ver com taxas do aeroporto ou coisas que fogem ao meu entendimento. Pra mim não faz o menor sentido, mas acontece.

Dois em um. American Airlines lançou um sistema de stoppover gratuito em que você pode, por exemplo, fazer uma viagem Rio-Nova York – Paris, parando por 12 horas em Nova York. Ou seja, mesmo seu destino sendo Europa, você ainda pode gratuitamente aproveitar pra conhecer uma cidade dos EUA. Miami, Nova York, Los Angeles e outras estão na lista. Maiores detalhes sobre este sistema na página da American Airlines. A única questão aqui é que serão dois voos longos, de mais de 10 horas provavelmente. Com um intervalo de 12h para bater perna, ou seja, pode ser bastante cansativo. Especialmente se você estiver com crianças. Mas por outro lado pode ser bem divertido.

2. Hospedagem

Bom, quem leu os outros posts sabe que somos totalmente adeptos do Airbnb. Sempre que posso opto por este sistema por vários motivos. O primeiro deles é que achamos muito mais interessante curtir a cidade do ponto de vista dos moradores, em bairros residenciais, vendo a vida dos vizinhos e entendendo como são os diferentes apartamentos e casas pelo mundo. Além disso, é muito cômodo e econômico ter acesso à uma cozinha em viagens, especialmente se você viaja com crianças. É possível fazer compras no mercado local (o que também faz parte da nossa experiência na cidade e amamos!) e cozinhar por exemplo o jantar, ou preparar papinhas e congelar pra levar durante o dia caso o bebê ainda não coma comida de restaurantes, etc. Enfim, buscamos sempre fazer uma refeição em restaurante e uma em casa, o que nos garante economia e uma alimentação mais saudável pra nossa filha mesmo durante as férias. Além disso, muitos apartamentos possuem máquina de lavar roupas, o que pode  ser uma tremenda mão na roda em viagens mais longas, já que você pode levar menos roupa e lavar durante a viagem, economizando em malas e em lavanderias. Você pode verificar na hora de escolher o apartamento se ele possui estas facilidades.

Dentro do próprio Airbnb existem formas mais baratas de se viajar, por exemplo, ficando em um quarto dentro da casa de alguém. É importante nesse caso verificar se você terá acesso à cozinha e deixar claro caso vá viajar com crianças.

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Outro sistema mais alternativo, que nós ainda não testamos, é o Couch Surfing. A ideia deste sistema é literalmente deixar alguém dormir no seu sofá. É uma forma de, além de economizar, conhecer outras pessoas e experimentar de forma intensa a cultura local. A hospedagem é gratuita e você precisa se cadastrar no site. Lá você preenche seu perfil e encontra pessoas oferecendo hospedagem. É preciso que o anfitrião te aceite, então fica mais fácil quando você já tem algumas avaliações positivas no site. É mais para pessoas viajando sozinhas ou em casal do que para famílias, mas é uma boa saída.

Existe ainda a possibilidade de fazer uma troca de casas. Existem vários sites especializados e pode funcionar como uma troca simultânea de casas (ou seja, enquanto você está na casa da pessoa ela está na sua casa) ou em períodos diferentes (neste caso você recebe a pessoa ou família e depois eles te recebem). O blog Diario de Viagem fez um ótimo relato da sua experiência e dá várias dicas pra quem quer testar esta modalidade de hospedagem. Aqui neste post, também do Diário de Viagem, você encontra o passo a passo e vários sites de troca de casas.

Outra opção é aliar o transporte interno e a casa, os famosos motorhomes (ou trailers, ou Camper). Os custos de viajar de motorhome variam de lugar pra lugar, mas de forma geral saem bem mais baratos do que você alugar um carro e pagar um hotel. Mas mais do que isso é um estilo de viajar, uma experiência. É importante levar algumas coisas em consideração, no entanto. Primeiro, não são todos os lugares que são bons de serem conhecidos de Motorhome. Isso porque dependendo do tamanho e das estradas pode ser complicado dirigi-lo, e também porque em muitas cidades há restrições para o tráfego deste tipo de veículo, o que significa, por exemplo, que você terá que estacionar seu Motorhome muito longe do centro e aí ter que pegar um transporte até lá. É importante também pesquisar se nos lugares que você vai há estrutura específica pra este tipo de viagem, como campings com possibilidade de abastecer de água e despejar os dejetos do Motorhome. Aliás, é importante incluir o custo dos Campings no cálculo de gastos, pois pelo menos em alguns momentos eles serão necessários. Lugares como Alemanha, Croácia, EUA e Austrália são ótimos lugares pra se viajar neste estilo. Mas você pode se aventurar por outros, apenas pesquisa direitinho antes. Neste post do excelente Viaje na Viagem, o Ricardo Freire faz um apanhado de dicas pra quem quer viajar de Motorhome e ainda dá links pra relatos de outros viajantes. Outro ótimo blog que também tem uma lista de posts excelentes sobre o tema, é o do Felipe o Pequeno Viajante. Aqui por exemplo tem um manual de viagens de Motorhome pelos EUA (mas com muitas dicas que podem ser aproveitadas pra outros países)

3. Alimentação

Como já disse anteriormente, nós sempre tentamos fazer apenas uma refeição em restaurante e deixamos a outra pra fazer em casa. Além disso, sempre passamos no mercado para comprar frutas, lanchinhos e água pra carregar durante os passeios, pois sai muito mais barato do que comprar em lojas ou cafés/restaurantes.

mercado Europa

Pra gente, aproveitar a culinária local faz parte da viagem e é tão importante quanto conhecer uma praia linda ou visitar um museu. Por isso, procuramos sempre que possível pesquisar previamente algumas opções de restaurantes com comida local boa e de bom preço. Normalmente estes restaurantes se encontram nos lugares menos turísticos, ou às vezes apenas saindo daquela rua principal mega turística você pode encontrar um restaurante local bbb. Portanto resista à tentação de entrar no primeiro restaurante turístico que aparecer, porque estes em geral além de caros não costumam ser bons. No caso de viajar com crianças isso exige um pouco mais de planejamento, pois eles não aguentam – e nem devem – esperar muito tempo pra comer. Se você tiver acesso à internet durante a viagem o aplicativo do Trip Advisor é sempre um ótimo ajudante para encontrar locais bons e baratos pela cidade.

4. Passeios

Nossos passeios preferidos em viagens já são normalmente gratuitos – ou quase. Eles incluem andar pelos centros históricos, passear nos parques, curtir uma praia, andar de bicicleta pela cidade. Mas também é possível economizar naqueles passeios mais turísticos – e caros – como museus, etc.

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Muitas cidades na Europa possuem cartões para turistas que englobam normalmente algumas das principais atrações (às vezes com desconto, às vezes totalmente incluídas) e eventualmente transporte local. Dependendo de quais museus você pretende ir pode valer a pena. Mas é importante pesquisar antes o que está incluído e se realmente vai valer a pena pra você. Existem alguns posts na internet sobre os passes e se eles valem ou não a pena. Aqui tem um ótimo sobre o Londonpass, aqui sobre os cartões de Lisboa, aqui sobre o Welcome Card de Berlin, e aqui sobre o cartão de Amsterdam. Mas existem outros em diversas cidades, é só procurar na internet.

Além disso, vale a pena conferir se na cidade que você vai existem dias em que as atrações são gratuitas. Em Paris, por exemplo, no primeiro domingo de cada mês a maior parte dos museus tem entrada gratuita. Isso significa filas enormes no Louvre por exemplo, então chegue cedo. Em Berlin, às terças às 13h há apresentação gratuita na Filarmônica de Berlin. É preciso chegar apenas cerca de 40min antes e pegar uma senha. Nesta página há dicas de 30 museus com entrada gratuita pelo mundo.

5. Transporte local

A maior parte das cidades na Europa possui, além de excelente transporte público, diversas possibilidades de bilhetes combinados que podem representar economia na sua viagem. Cada cidade possui o seu sistema e se vai valer a pena ou não comprar depende de cada lugar e também da localização da sua hospedagem e de quantos meios de transporte você precisará pegar. Bilhetes de 3 dias, 1 semana, combinados com atrações turísticas como os cards citados acima, são muitas as opções.  Neste post ótimo do Simplesmente Berlim, há a descrição dos tipos de bilhete de Berlin por exemplo.

Outra opção que pode ser além de econômica, saudável e bacana, é circular de bicicleta. Muitas cidades possuem sistemas de aluguel de bicicleta público, daqueles que você pega a bicicleta num posto e devolve no próximo e só paga pelo tempo utilizado. Em Munique, por exemplo, você não precisa deixar ou pegar em postos específicos, através de um sistema de GPS você busca qual a bike mais próxima e a deixa depois em qualquer lugar. O sistema de aluguel de bikes público na Alemanha é operado pela Deutsche Bahn e se chama Call a Bike, no site tem as informações em inglês. Em outros países há também sistemas semelhantes, ou você pode alugar uma bicicleta em uma loja especializada ou em alguns hotéis. Em Berlin, por exemplo, o preço normal para a diária fica entre 10 e 12 euros.

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6. Indo de uma cidade pra outra

Há diversas formas de você ir de uma cidade pra outra na Europa, e a escolha do meio de transporte depende de vários fatores. Neste post aqui eu falei um pouco sobre como escolher entre trens, ônibus, avião e carro de acordo com a sua viagem e lá você encontra outras dicas que complementam este post, como sites onde comprar sua passagem de ônibus ou trem, etc.

As companhias que operam voos Low Cost na Europa estão em constante crescimento e há diversas opções. Em breve farei um post falando sobre a experiência de voar low cost, mas as regras são basicamente pesquisar com antecedência e olhar nos sites de buscas que já mencionei no início deste post. É possível encontrar voos a menos de 20 euros por trecho para dentro da Europa.

A segunda opção é o trem. Em geral trens atualmente são formas mais caras de se viajar. Porém, existem algumas dicas. Algumas empresas como a Deutsche Bahn que opera os trens na Alemanha, por exemplo, oferecem taxas promocionais bem baratas caso você compre com 90 dias de antecedência. No caso da Renfe, a empresa espanhola, as ofertas aparecem certa de 60 dias antes da data da viagem. Neste post do Viaje na Viagem há algumas dicas para a compra de passagens de trem na Espanha. Eu sempre opto por comprar na empresa direto, sites como o Raileurope entre outros acabam sempre cobrando taxas extras e sempre sai mais caro.

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Atualmente a forma mais barata de se viajar na Europa tende a ser o ônibus. Há passagens por exemplo de 7 euros de Berlin a Praga. No entanto saiba que os ônibus aqui não são tão confortáveis como alguns no Brasil. Embora as estradas sejam melhores e muitos deles tenham wifi, as poltronas reclinam pouco e não há (pelo menos eu nunca achei) a opção de semi-leito ou leito, executivo, etc. Um bom site para procurar preços na Alemanha é o Busliniensuche, ele compara preços de diferentes empresas, todas confiáveis.

Outra possibilidade é a carona. Pois é, atualmente existem sites especializados em caronas, onde o motorista oferece o lugar no carro e o valor, normalmente apenas para cobrir gastos com combustível. Um bom e confiável site é o Blablacar, que conecta pessoas que oferecem e que buscam carona. Outro bom site para procurar é o Go Euro, que além de caronas compara preço dos trechos de ônibus, trem e avião pela Europa.

 

 

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